Conhecido pelo domínio da técnica de fazer arrozes com socarrat, o fundo da panela com o cereal caramelizado, que todos os apreciadores da boa comida rendem homenagens, Quique Dacosta, foi um dos escolhidos para o San Sebastian Gastronomika Live, conferência virtual com 50 chefs importantes de todo o mundo. Claro, apresentá-lo assim é reduzir o currículo e talento do chef e empreendedor espanhol.

Na live, ele explicou como vai funcionar o seu novo negócio de entregas, que a crise o obrigou a fazer, e como será a reabertura dos seus restaurantes, com estrelas Michelin, na Espanha. Por enquanto, brincou, está cozinhando para clientes exigentes, seus filhos.

Quique Dacosta fechou a primeira semana de conferências Gastronomika Live.“Estou na cozinha há mais de 30 anos. Saí da crise de 92, transformando a cozinha de El Poblet para abrir uma perspectiva mais internacional, e também da crise em 2008”, contou, lembrando que ter um forte vínculo com os seus colaboradores foi fundamental. O chef também tem vários estabelecimentos.

O serviço de entrega, o QDelivery, não funcionará para os restaurantes com estrelas Michelin, apenas nos endereços mais casuais e com menus completos, preço fixo, que mudam diariamente. Será possível comprar vinhos também, mas o serviço só será oferecido para residências localizadas em um raio de quatro minutos para garantir que tenha qualidade. “Com essa oferta, garantimos um faturamento mínimo e que o cliente tenha uma experiência completa”, explicou.

Dacosta diz que as mudanças fazem parte da vida, mas não sabe quando reabrirá seus estabelecimentos e nunca pensou que trabalharia com delivery, também não imaginava ter um restaurante que só servisse paellas em Londres – o arros QD. Lembrei do nosso esquecido barreado, o autêntico.

Para o chef o serviço de delivery não será temporário, veio para ficar. “Agora, mais do que nunca, o equilíbrio entre despesas e receitas será muito importante para um restaurante”, disse, expressando sua preocupação.

Assim como outros chefs já comentaram nas lives realizadas, Quique Dacosta sabe que terá que inovar para se manter no mercado. Apesar de o chef dar prioridade para os produtos locais, sabe que se concentrar no local, o mundo pode se fechar. “Não podemos colocar um muro nas paredes da gastronomia. Mas, obviamente, não levarei camarão ou arroz de fora com o que eu tenho aqui ao meu lado. É senso comum”.

Perguntado pelo chef Pedro Subijana, do restaurante Akelarre, em San Sebastian, se abriria outro restaurante agora, afirmou que sim. “Gosto de empreender e arriscar. E estou tão empolgado em criar um novo prato quanto em criar um novo espaço. Então eu vou continuar assim”, respondeu. 

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