Neste começo de ano, nem tão começo assim, afinal vamos chegando quase ao fim de janeiro, não serei muito diferente dos anteriores na escrita. Resumo tendências e acontecimentos. Acho bom começar o primeiro post do ano assim. Vou falar do que foi destaque e sobre algumas novidades.

Melhor menu

Não sou vegetariana. Confesso que já fui em um dia distante. Mas, até o mais carnívoro dos homens que conheço se rendeu ao menu do reino vegetal do restaurante Manu. Conexão com o que é exigido pelo mundo contemporâneo. Veio para ficar. Assim espero. Outra novidade é que a chef começa o ano com o “almoço da colheita”. Não tenho mais detalhes. É esperar pra ver. Promete.

Fermentação natural

Até que enfim, posso dizer e respirar aliviada, Curitiba reconhece o sabor e os benefícios da fermentação natural. Prova disso foi a La Panoteca ter sido escolhida a melhor padaria no prêmio do Bom Gourmet deste jornal.

Conheci o local logo que abriu uns anos atrás. Paixão de cara. Além disso, vemos que pipocaram padarias artesanais. A Maçã e a Fábrika estão aí para comprovar. O Pão da Casa deu exemplo. A padaria instalada em uma garagem na pequena Witmarsun fez sucesso. Renê Seifert, o padeiro nas horas vagas, caiu nas graças de todo mundo, e somos nós que damos graças. Que pão sai daquele forno quase comunitário! Que sabor! Proposta antiga revitalizada para a nossa sorte. Bon Vivant no Mercado Municipal e na Mercadoteca recebe uma fornada às sextas.

Gelinaz em Curitiba

Pode até ser uma pitada de exagero, mas afirmo que nem todo esforço de trade turístico para promover o Estado chega aos pés do que Manu Buffara fez. Por isso, ela é citada novamente aqui. Participar de um dos principais eventos internacionais de gastronomia colocou nossa capital no centro das atenções. Como embaixadora do Shuffle Gelinaz 2 na nossa terra, escrevi e escrevi muitas linhas sobre o assunto. Aqui e aqui.

Gastronomia Paraná

Tinha tudo para se firmar como estratégia e programa governamental para fortalecer a gastronomia e promover o turismo. Foi interrompido. Ganhamos, porém, em entender que formar um grupo de chefs e caminhar juntos para melhorar a qualidade e aparecer nacionalmente e até internacionalmente é essencial. Temos tudo para que prestem atenção na gente, como disse o Josimar Melo, com o apoio do governo, então, seria uma maravilha. Talvez possamos ganhar mais uma chance. Sopram novos ventos.

Em relação ao projeto, gostei de poder ajudar a organizar o Festival de Cultura e Gastronomia da Lapa, um dos objetivos do Gastronomia Paraná. Chefs de Curitiba foram até à Lapa cozinhar nos restaurantes de lá, além de outras atividades.

Ver o prato “pão no bafo” no palco do Mesa Tendências  – principal congresso da área realizado em São Paulo – emocionou. A ideia de valorizar e resgatar receitas esquecidas e ingredientes locais e divulgar o trabalho dos chefs paranaenses resume o que era para ser feito e foi. Ver Palmeira com seus legítimos representantes mostrando o que fazem foi o suspiro no topo do bolo. Rosane Radecki ousou e trabalhou. Deu certo.

Gastromotiva

Faz poucos anos, era um sonho de algumas pessoas. Tive a sorte de começar a desenhar o caminho com amigos. Juntaram-se mais entusiastas e incentivadores. E a primeira turma na Universidade Positivo vingou. A ONG que faz a inclusão pela gastronomia, a Gastromotiva, virou realidade também em Curitiba.

Outras iniciativas, como o Good Truck da blogueira Gabrielle Mahamud do Flor de Sal, que aproveita ingredientes que seriam descartados e alimenta pessoas carentes, também vieram para ficar. Logo Gabrielle deve sair por aí com seu caminhão próprio espalhando solidariedade. Manu Buffara é madrinha do projeto. A primeira ação aconteceu antes do Natal.

Toc, toc, toc na madeira três vezes para atrair mais coisas boas. Lembro ainda da rede de restaurantes e amizades formadas na Gastromotiva, que esperamos sejam duradouras. As aulas da segunda turma começam em março e as inscrições estão abertas. Divulgue. Link aqui. Esperamos também mais adesões dos estabelecimentos de gastronomia da cidade.

O criador da Gastromotiva, o curitibano David Hertz, nos enche de orgulho e todo agradecimento será pouco. Assim como para o casal Tâ e Gui Barthel que deram o empurrão que faltava. Neste momento, David está em Davos cozinhando para líderes mundiais e falando sobre a iniciativa e também sobre o Refettorio instalado no Rio de Janeiro. Dá exemplo do que precisamos fazer para minimizar desigualdades e desperdícios.

Começa o ano

Cardápio de verão

Novidades no cardápio do Durski

Novidades no cardápio do Durski – foto Nilo Biazetto

Júnior Durski começou o ano trazendo novos pratos para o seu restaurante Durski. Tem clássicos reeditados como o quase esquecido “coquetel de camarão” e outros mais apropriados para o verão, que apareceu escaldante em 2017. Os preços variam entre R$ 90,00 e R$ 70,00, não assustam, considere o padrão da casa de alta gastronomia, o serviço e a adega. Agradeci, mesmo que apenas em pensamento, a permanência do banquete eslavo, que espero sempre esteja no cardápio, e quero voltar para provar o “camarões à caiçara”, fiquei curiosa. A casa está um brinco só.

Hey Dragon!

Marcelo Amaral, apesar de ter se debandado para Santa Catarina e ficar parte do seu tempo por lá,  já comunicou que reabre o bar anexo ao Lagundri. Semana que vem o Hey Dragon! “dumpling bar”. Não me crucifique, pois vou simplificar aqui dizendo que o dumpling parece com um ravioli. Torço com todas as minhas forças para que seja bom e faça sucesso.

Troca

Cláudia Krauspenhar, que foi chef revelação da Veja no começo da carreira, trocou de lugar com o sommelier Ronaldo Bohnenstengel – espero ter acertado os dois sobrenomes – e assumiu a gestão do Vin Bistrô. Na cozinha fica o chef Emiliano Damion.

Bar

Raphael Zanette do Grupo Vino!, abriu com outros sócios, o Vino! Bar dentro de numa loja do Shopping Hauer, no Batel, perto de onde funcionou o C La Vie. Ares novos e necessários para a cidade. Tempos que exigem adaptações aos bolsos mais comedidos. Acerta quem investir no bom e barato.

Ca’Dore

Um espaço com várias opções surgiu no local de uma antiga cerâmica. É o Ca’Dore Comida Descomplicada com 36 opções em contêineres coloridos. Assim a cidade vai se espalhando. O polo de gastronomia é no bairro do Bacacheri. Detalhes aqui.

Aperfeiçoamento

A Gazeta do Povo/Bom Gourmet fez parceria com a Universidade Federal do Paraná para um curso de extensão. Levou vários profissionais para debater temas relevantes. Esperamos que estudantes participem mais de eventos assim. Ainda não me conformo com a falta de interesse. Quem sabe isso mude. Tenho esperança, afinal a época é propícia para reflexão e acreditar que podemos fazer diferente e diferença no mundo. E repito o lema do Júnior Durski que resume tudo no trabalho, ou na vida: a ideia é ser feliz e ajudar os outros. Sobe o som e toca o barco.