O esperado Fat Cow: o lugar que deveria estar na esquina de casa

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Foi quase um barraco na porta. Nem tanto, seria apenas uma grande decepção se não conseguíssemos entrar. O Fat Cow está em soft openingfuncionando das 12h às 19h, só que não apesar de o horário ter sido divulgado assim. Por enquanto, até o final de maio, hoje, está fechando às 15h e reabrindo às 19h até não sei que horas, inebriada pelos sabores saí sem perguntar. É bom informar-se antes.

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Chegamos 15h10 e tivemos a notícia: fechado. Insistindo muito e com a afirmação de que tínhamos saído de Curitiba para conhecer a casa e não pensávamos em arredar os pés antes de provar os sanduíches dali, fomos salvos pelo Luiz Felipe Souza e atendidos pelo Fábio Moon. Uma honraria. “Da terra do Madero para o Fat Cow, puxa”, escutamos enquanto entrávamos ostentando sorrisos de quem venceu a batalha do dia.

O que é

Passada a ameaça de stress vamos as surpresasFat Cow é uma lanchonete com sanduíches diferenciados, carrega um toque sofisticado, masdespretensioso, e tem bom atendimento. Parece um sonho.

Pois não é. O lugar existe, só que em São Paulo, infelizmente, não moro lá. Tem até sundae (R$ 13,00), não um qualquer, o deles é de cumaru, servido com caramelo salgado, é um ice crime avisam, e o hambúrguer, evidentemente, não um qualquer.

Como explicar a casa? Primeiro é preciso conhecer um dos sócios, ou os dois. Quem gosta da comer bem, é cozinheiro, ou jornalista da área, ou foodie já ouviu falar ou segue o Fábio Moon (@fabmoon). Fábio tem um homônimo que é gêmeo e quadrinista, não confundir.

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A fama dele não era das melhores, nada disso. Diziam que não comia tudo que postava, era um exagero mesmo, que era bulímico, comia e o resto do dia passava numa academia para manter a forma física, parente do reverendo Moon e muito rico para viajar sem parar pelo mundo conhecendo os melhoresrestaurantes. Bobagem.

Pois, conheci um cara muito tranquilo e focado no trabalho, supervisionando todos os passos do local. Também feliz e realizado com a opção de passar mais de 15 horas numa cozinha. “Descobri que o que eu gosto é servir”, declarou. E comer bem também, sabemos disso.

Especial

Pode até parecer uma lanchonete comum, porém, assim que chegar seu pedido você terá certeza de que não é, ou antes já com o cardápio. A casa oferece lanches artesanais e nomes sugestivos como Eggie Murphy (R$ 37,00).

O outro sócio também chama atenção, vem de restaurante com estrela MichelinLuiz Felipe Souza, do Evvai, acabou de receber a honraria. Só podia dar no que deu. Aliás, os pães vêm da sua outra casa.

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Por gostar de comer, Fábio começou a frequentar as cozinhas dos restaurantes para aprender, virou amigo de chefs e não resistiu a paixão pelo ofícioque a profissão costuma despertar.

Para começar hambúrguer tem seis tipos de carne moídas na casa. A gema do “X-bacon com ovo” (o Eggie Murghy) é infusionada com demi-glace. O caldo quente é injetado com uma agulha na gema grua e explode quando pressionado, “aperta o play, ensinam, uma beleza.

batata frita sequinha e crocante pode ser acompanhada, quem diria, por kimchi, ou creme de queijo. Outra perdição garantida, assim como o fat dog.

Mr. Roast Beef (R$ 35,00) deixa saudades, o preferido de Fábio Moon, virou meu também. Outro da lista do coração foi o FCFC, o Fat Cown fried chicken, (R$ 27,00) frango frito empanado com molho agridoce, tira os pés da gente do chão de tão bom. Imperdível. E nem comi o bao, estava em falta, ando me derretendo de amores por esses exemplares.

lobster roll (R$ 39,00) é bom, mas a cavaquinha poché poderia ter talvez mais molho tártaro, não brilha como outros. Está na categoria de entradas, todas apresentadas em dois pãezinhos perfeitos, perfeitos também para dividir e experimentar mais itens do cardápio, vale a pena. Provamos ainda outro queridinho o foie gras sliders com compota de maçã (R$ 35,00 duas unidades nem tão pequenas e divinas). O steak tartare (R$25,00, duas unidades nem tão pequenas e igualmente divinas) fazem bonito.

E claro, não saímos sem umas baforadas com o “don diablo”, Jerez, gin, infusão de cítricos, amaro lucano, carpano clássico que está na carta de drinks especial. A casa tem também os chopes da Goose Island.

Eles pensaram até nisso: fazer uma sacolinha cheia de charme que vira um prato para comer no escritório, levando “um pouco de poesia para a selva financeira paulista” do Itaim Bibi, local da lanchonete.

Se quero voltar? Amanhã. Espero que esteja tudo igual, o meu maior medo. Não arrede o pé da cozinha, Fábio MoonFat Cow é uma “mistureba”, como ele mesmo define o local, muito boa! Muito sucesso e vida longa pra vocês!

Fat Cow

Rua Iaiá, 173 Itaim Bibi.

Jussara Voss - Gastronomia

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